Debret midiatizado: mutações do olhar em tempo espiralar na circulação de imagens do brasil escravocrata na cultura visual brasileira contemporânea
Palabras clave:
Memória, Narrativa, Midiatização, Justiça Visual, Escravidão, DebretResumen
A memória coletiva sobre a escravidão no Brasil no tempo presente se dá
através da circulação de imagens de Debret e de outros artistas–etnógrafos do século XIX no imaginário brasileiro dentro de circuitos midiatizados. O presente artigo analisa a midiatização da obra de Jean-Baptiste Debret (1778 – 1844) na cultura visual brasileira contemporânea a partir dos conceitos de temporalidade, memória e fricção. A obra de Debret, originalmente produzida no início do século XIX, contém elementos estruturantes da memória coletiva e imaginário sobre o Brasil escravocrata que são ativados na atualidade pela sua circulação em diversos suportes, atravessados por circuitos que destacam tensões entre continuidades históricas e a mutação do olhar colonial em relação às questões de justiça visual na atualidade. Através da análise da circulação, apropriação e ressignificação de imagens de Debret em diversos suportes como capas de jornal, livros didáticos, na esfera do consumo e nas mídias sociais, e na arte contemporânea, a circulação da obra de Debret na atualidade é problematizada dentro do conceito da temporalidade espiral (Martins, 2019) e da circulação (Verón, 1996), onde busca-se compreender como a circulação da obra de Debret aciona diversas mutações do olhar sobre o racismo e a violência através de ressignificações críticas na cultura visual em uma sociedade em processo de midiatização.
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